O simples ato de acender velas para as almas, para o anjo da guarda, os pretos velhos, caboclos, para um santo ou uma santa ou simplesmente para uma oferenda aos Orixás, independente da rel
igião, a nossa intenção, muitas das vezes, está relacionada a algum pedido. Na Umbanda, a vela é um dos símbolos mais representativos, de acordo com os religiosos, os estímulos visuais captados pela luz da chama da vela acendem, na verdade, a fogueira interior de cada um. Despertando a lembrança de um passado muito distante, onde seus ancestrais, sentados ao redor do fogo, tomavam decisões que mudariam o curso de suas vidas. “Quando um umbandista acende uma vela, mal sabe que está abrindo para a sua mente uma porta interdimensional, onde sua mente consciente nem sonha com as forças dos seus poderes mentais”, comenta o Marlon Xavier, pai de santo ou zelador de santo, padrinho de umbanda ou ainda, chefe de terreiro; Esses são alguns dos termos utilizados para denominar os médiuns mais experientes e com maior conhecimento, normalmente fundadores do terreiro. São quem coordenam as sessões/giras e que irão incorporar o guia-chefe, que comandará a espiritualidade e a materialidade durante os trabalhos.
Vela, um objeto singular na religão
Vela, um objeto singular na religão
“Muitos umbandistas acendem velas para seus Guias de forma automática, num ritual mecânico, sem nenhuma concentração”, me conta Xavier. Segundo o próprio pai de santo, é preciso muita concentração e respeito ao acender uma vela, pois a energia emitida pela mente do médium irá englobar a energia do fogo e, juntas, irão vibrar no espaço cósmico, para atender a razão da queima dessa vela. Xavier me disse ainda que não é conviniente, ao encontrar uma vela acessa no portão do cemitério, em alguma encruzinhada, embaixo de uma árvore, apagá-la por brincadeira ou por outra razão.
As chamas das velas sempre tiveram vários significados: A luz divina, a luz do conhecimento que dissipa as trevas da ignorância, a luz que guia os desencarnados, o fogo purificador com o poder de consumir as energias negativas, o símbolo da letra Hebraica Iod que representa Deus, etc.
Distinção entre as entidadesQuanto às velas para anjo da guarda e Orixás existe uma diferença embora, eles situam-se no mesmo plano evolucional.
Distinção entre as entidadesQuanto às velas para anjo da guarda e Orixás existe uma diferença embora, eles situam-se no mesmo plano evolucional.
As velas para anjos da guarda são invariavelmente de cor branca podendo ser acesas no interior de nossas casas; Já as velas para Orixás deve-se respeitar as cores (veja quadro abaixo) em que vibram e somente acendemos no interior de nossas casas se possuímos um Altar com a representatividade deles.
Na Umbanda quando você acende velas para Orixás ou é como oferenda ou como obrigação e por isso tanto uma como outra só é bem feita quando obedecemos os rituais e normas do Sagrado pois mesmo que tenhamos a melhor das intenções ela não modificará o fato que se deitando uma oferenda ou obrigação de forma e/ou local errados terá sido em vão.
Oxalá= BrancaOxossi= VerdeXangô= MarronOgum=VermelhaYemanjá= AzulOxum= AzulIansã= AmarelaOmulú=BrancaNana = RoxaIbeiji= RosaOssãe= AmarelaPretos Velhos = Branca, AzulCaboclos= Verde, Marron, Vermelha, Amarela,BrancaMarinheiros= Azul , BrancaBoiadeiros= Marron,Verde,Roxa, BrancaBaianos= Marron, Branca
Fósforo ou isqueiro?

Em muitos terreiros existe a recomendação para só acenderem com palitos de fósforos, evitando acendê-las com isqueiro ou outra vela acesa, no caso do terreiro de Xavier, como em muitos, fazem uso de pólvora, chamada de fundanga, nos trabalhos de descarrego.
Velas quebradas ou usadas
Nos trabalhos de Umbanda existe uma grande preocupação com o uso de velas virgens, ou que não estejam quebradas. A principio, pensei em tratar de mera superstição, mas depois compreendi que a vela virgem isenta da magnetização de uma vela já usada. Somente no caso da vela quebrada encontrei um componente supersticioso, a pessoa acredita, psicologicamente, que precisa de instrumentos perfeitos para obter sucesso.