segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O que é Caymmi tem?

A singularidade de um gênio brasileiro, acima de tudo, baiano

Quem vem para beira do mar, nunca mais quer voltar... ou o mar, quando quebra na praia é bonito é bonito... parafraseando o Grande Caymmi, faço aqui, esta justa homenagem um dos maiores compositores surgido no Brasil e que partiu recentemente, deixando uma grande lacuna na música popular brasileira. Dorival morreu como sempre viveu, apaixonado. Com uma obra caracterizada pelos temas praianos e músicas que destacam a beleza de sua terra natal, Dorival Caymmi é considerado um dos maiores compositores da música popular brasileira.

Caymmi nasceu em Salvador no dia 30 de abril de 1914. Sua ligação com a música vem desde a infância. Seu pai trabalhava como funcionário público e era músico amador, tocando violão, piano e bandolim, e sua mãe cantava em meio aos afazeres domésticos. Ao completar 13 anos, interrompeu os estudos, após concluir o 1° ano colegial, e foi trabalhar no jornal "O Imparcial", onde ficou até 1929, quando o veículo encerrou suas atividades.
Com 16 anos, já sabia tocar violão, técnica que aprendeu sozinho, e compôs a sua primeira música, a toada 'No Sertão'. Quatro anos depois, estreou na Rádio Clube da Bahia cantando e tocando violão, até que em 1935 ganhou o seu próprio programa: 'Caymmi e suas Canções Praieiras'.

Ao completar 90 anos, em abril de 2004, ganhou uma grande homenagem de seus filhos: um show que percorreu as principais capitais brasileiras com as suas canções. Desde que deixou Salvador, Dorival Caymmi divide seu tempo entre a tranqüilidade da cidade natal de sua esposa, Pequeri, na região de Juiz de Fora, em Minas Gerais, e o Rio de Janeiro.

Ao completar 90 anos, em abril de 2004, ganhou uma grande homenagem de seus filhos: um show que percorreu as principais capitais brasileiras com as suas canções. Desde que deixou Salvador, Dorival Caymmi divide seu tempo entre a tranqüilidade da cidade natal de sua esposa, Pequeri, na região de Juiz de Fora, em Minas Gerais, e o Rio de Janeiro.

domingo, 10 de agosto de 2008

O Poder das Velas

Conheça as diferentes funções desse signo na Umbanda


O simples ato de acender velas para as almas, para o anjo da guarda, os pretos velhos, caboclos, para um santo ou uma santa ou simplesmente para uma oferenda aos Orixás, independente da religião, a nossa intenção, muitas das vezes, está relacionada a algum pedido. Na Umbanda, a vela é um dos símbolos mais representativos, de acordo com os religiosos, os estímulos visuais captados pela luz da chama da vela acendem, na verdade, a fogueira interior de cada um. Despertando a lembrança de um passado muito distante, onde seus ancestrais, sentados ao redor do fogo, tomavam decisões que mudariam o curso de suas vidas.

“Quando um umbandista acende uma vela, mal sabe que está abrindo para a sua mente uma porta interdimensional, onde sua mente consciente nem sonha com as forças dos seus poderes mentais”, comenta o Marlon Xavier, pai de santo ou zelador de santo, padrinho de umbanda ou ainda, chefe de terreiro; Esses são alguns dos termos utilizados para denominar os médiuns mais experientes e com maior conhecimento, normalmente fundadores do terreiro. São quem coordenam as sessões/giras e que irão incorporar o guia-chefe, que comandará a espiritualidade e a materialidade durante os trabalhos.

Vela, um objeto singular na religão


“Muitos umbandistas acendem velas para seus Guias de forma automática, num ritual mecânico, sem nenhuma concentração”, me conta Xavier. Segundo o próprio pai de santo, é preciso muita concentração e respeito ao acender uma vela, pois a energia emitida pela mente do médium irá englobar a energia do fogo e, juntas, irão vibrar no espaço cósmico, para atender a razão da queima dessa vela. Xavier me disse ainda que não é conviniente, ao encontrar uma vela acessa no portão do cemitério, em alguma encruzinhada, embaixo de uma árvore, apagá-la por brincadeira ou por outra razão.

As chamas das velas sempre tiveram vários significados: A luz divina, a luz do conhecimento que dissipa as trevas da ignorância, a luz que guia os desencarnados, o fogo purificador com o poder de consumir as energias negativas, o símbolo da letra Hebraica Iod que representa Deus, etc.
Distinção entre as entidadesQuanto às velas para anjo da guarda e Orixás existe uma diferença embora, eles situam-se no mesmo plano evolucional.
As velas para anjos da guarda são invariavelmente de cor branca podendo ser acesas no interior de nossas casas; Já as velas para Orixás deve-se respeitar as cores (veja quadro abaixo) em que vibram e somente acendemos no interior de nossas casas se possuímos um Altar com a representatividade deles.
Na Umbanda quando você acende velas para Orixás ou é como oferenda ou como obrigação e por isso tanto uma como outra só é bem feita quando obedecemos os rituais e normas do Sagrado pois mesmo que tenhamos a melhor das intenções ela não modificará o fato que se deitando uma oferenda ou obrigação de forma e/ou local errados terá sido em vão.


Oxalá= BrancaOxossi= VerdeXangô= MarronOgum=VermelhaYemanjá= AzulOxum= AzulIansã= AmarelaOmulú=BrancaNana = RoxaIbeiji= RosaOssãe= AmarelaPretos Velhos = Branca, AzulCaboclos= Verde, Marron, Vermelha, Amarela,BrancaMarinheiros= Azul , BrancaBoiadeiros= Marron,Verde,Roxa, BrancaBaianos= Marron, Branca



Fósforo ou isqueiro?

Em muitos terreiros existe a recomendação para só acenderem com palitos de fósforos, evitando acendê-las com isqueiro ou outra vela acesa, no caso do terreiro de Xavier, como em muitos, fazem uso de pólvora, chamada de fundanga, nos trabalhos de descarrego.

Velas quebradas ou usadas

Nos trabalhos de Umbanda existe uma grande preocupação com o uso de velas virgens, ou que não estejam quebradas. A principio, pensei em tratar de mera superstição, mas depois compreendi que a vela virgem isenta da magnetização de uma vela já usada. Somente no caso da vela quebrada encontrei um componente supersticioso, a pessoa acredita, psicologicamente, que precisa de instrumentos perfeitos para obter sucesso.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Sala dos livros

Publicada
Biblioteca também é lugar de assistir a aulas divertidas

Muitas crianças cresceram com a imagem da biblioteca escolar como um lugar de coisas velhas, de castigo e silêncio absoluto, tornando-se hoje leitores frustrados. Essa imagem equivocada não é realidade no Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), na Capital.

Coordenada pela professora Maria Salete Lanzarin, o setor infantil empresta mensalmente cerca de mil livros. Toda essa busca pelo conhecimento por parte das crianças é fruto do projeto chamado Ler e Fazer na Biblioteca. Desenvolvido há mais de 15 anos pela Maria Salete, o projeto inclui a biblioteca na grade curricular. Uma vez por semana os alunos deixam a sala de aula para fazer suas atividades dentro da biblioteca.

O espaço destinado às crianças, além de livros, possui uma infinidade de atrativos que estimulam não só a leitura, mas o raciocínio e a coordenação motora. Bingos criativos com títulos de livros infantis, jogos de memória auditiva feitos de garrafinhas pet (onde as crianças têm que reconhecer o par de garrafas com o mesmo som), avental de histórias (a professora cola as personagens no avental conforme a narrativa), fantoches e contos desenhados são algumas opções.Existem também livros sem legenda, somente com figuras, onde as crianças criam a partir das suas imaginações as próprias historinhas, tudo de uma forma lúdica, sem a cobrança da sala de aula.- Todo esse material é colocado à disposição das crianças para que seja manuseado a próprio critério delas e para que conheçam o conteúdo literário de uma forma divertida e diferente, mas o maior objetivo é a leitura - afirma Maria Salete.

O setor infantil da biblioteca do Colégio de Aplicação atende cerca de 140 alunos de 1ª a 4ª série do ensino fundamental. Muitos dos alunos, hoje adolescentes, que já passaram pelo projeto, ainda cultivam o hábito do empréstimo e da leitura.- Se você quer criar leitores, dê livros. Estamos apenas semeando uma semente que vêm depois. As crianças esperam a semana inteira por este momento, muitas passam o recreio aqui, na biblioteca, alimentando a alma - enfatiza a professora

Ofício preservado

Publicada DC 17/07/08 foto Júlio Cavalheiro/DC


A casa amarela, bem conservada, ainda guarda os traços da colonização açoriana. O velho balcão, entre a entrada e a banca de sapateiro, durante muitos anos nunca era visto desocupado: se, às vezes, era motivo de descanso, às vezes era motivo de um bom papo, tendo como figura principal um senhor paraguaio de 68 anos, chamado Silvestre Britez.


Por mais de uma década, essa pequena oficina de calçados, na Rua Lauro Linhares, no Bairro Trindade, na Capital, é o palco de Britez.Ali, ele contava e ainda conta toda a sua história de vida, memórias alegres e tristes, de um tempo que não volta mais. Desde quando chegou ao Brasil, há mais de meio século, Silvestre protagonizou histórias dignas das epopéias gregas. Refugiado de guerra, quando criança foi vendido para estrangeiros.- Um senhor caminhoneiro, em Foz do Iguaçu (PR), que entregava madeira, me convidou para trabalhar, mas eu era muito criança. Fui com ele, e de repente estava preso numa fazenda, vigiada por capangas com espingardas - rememora.


Silvestre foi salvo por um alemão que conhecia bem a fronteira entre o Brasil e o Paraguai. Com ele aprendeu o ofício de sapateiro em Santa Maria (RS), no final da década de 1960. A família que o "adotou" tinha o sobrenome Weber.- Eles me ensinavam apenas uma ou duas vezes, e cada par de sapatos que eu não conseguia fazer, eu tinha que pagar - conta.Ainda no Rio Grande do Sul, conheceu sua primeira esposa, Celi Matos Oliveira, com quem teve cinco filhos. Trabalhou durante algum tempo no Exército, na sapataria dos militares, confeccionando coturnos e botas.


Anos depois, Silvestre casou-se novamente, com Joana Scapani, gerando mais quatro filhos. Com nove filhos para criar, mudou-se para Florianópolis, em 1986, onde abriu um negócio próprio: a Sapataria Britez.Ele não tinha como contratar funcionários e decidiu ensinar aos filhos a sua profissão, experiência que deu certo. No auge do negócio, Britez lembra que entre os clientes mais importantes estava o ex-governador do Estado Paulo Afonso Vieira.Com toda a família envolvida, a sapataria deu a Silvestre a oportunidade de educar os filhos.


Atualmente, duas filhas estão morando nos Estados Unidos. Além dos filhos Everton e Uzielita, o neto Maike também está aprendendo o ofício do avô, mantendo a tradição do ofício dentro da família.

Crônica: O sítio

Trim, trim, trim, trim, ah! maldito despertador! Parece que foi agora que deitei. Viro-me para o lado, abro apenas um olho e vejo que ainda são quinze pras sete. Vou dormir mais cinco minutinhos... Quer saber de uma coisa, não vou trabalhar hoje não. Segunda-feira, ônibus lotado, trânsito, fila, congestionamento... Chega! Decidi, não vou trabalhar, vou fugir dessa loucura de cidade grande, pelo menos hoje.

Mas para onde vou? – Aham, já sei: o sítio do vovô. Quanta saudade... Cheiro de terra molhada, estrada empoeirada, bichos, rio, hum... O torresmo, tantas saudades. Lembro-me como se fosse hoje: a velha rodoviária de Lages, eu, minha mãe e meus irmãos indo para o sítio. Aquela rodoviária era muito engraçada. Tinha umas escadas meio suspeitas, pessoas indo e vindo, de todos os lados. Pergunto a ela se este é o ônibus certo, ela com a cabeça responde que sim, e corro em disparada para o interior do carro para assegurar minha poltrona na janela. E de repente o velho Volkswagen treme e, o condutor dá sinal que uma incrível viagem estar apenas começando.

Se existe um lugar encantado no mundo este é lugar é ao planalto serrano catarinense. Terra de antigos tropeiros, índios, bugres... Pela janela vejo o sol, as nuvens que brincam com as formas de animais. Sério, vocês não acreditam? É simples, basta olhar para o céu e deixar a imaginação te levar. Avisto as árvores típicas da região, animais no campo. O sítio fica longe, para chegar precisa subir e depois descer bastante. No alto do morro minha mãe nos mostra a casa do vovô. Eu vejo apenas umas pequenas luzes, que do alto parecem mais com vaga-lumes soltos pelo campo. O velho Volks desce devagar a velha estrada que corta em “S” o morro. Esse é o momento certeiro para colocar a cabeça para fora e sentir a leve brisa nos recepcionando. O motorista vai parando o ônibus, finalmente estamos chegamos.

Em meio à poeira e à fumaça do cano de descarga (que não é sadio, mas é inesquecível), vejo por debaixo do velho ônibus a casinha dos meus avós, a casa onde minha mãe nasceu e foi criada. Logo de cara é um tal de “tarde sô”, respondido com “tarde sá". De longe avisto aquele senhor moreno, com cabelos e barba branca e aquele sorriso de sempre. Algumas vezes peguei minha mãe conversando com minhas tias sobre o vovô, de como ele era bravo, quem sabe isso deve ser coisa do sangue bugre que correria em suas veias. – Benção vovô.

O meu avô se chamava Hermâncio, tinha um pedaçinho de terra lá em Petrolândia, onde também tinha um botequinho. E é por este boteco que entramos. Sinto o cheiro das cachaças do alambique, mas o que realmente me desperta atenção é a doceira sobre o balcão. Como de costume ganho aquele doce que para mim era o melhor do mundo. No interior da casa encontro minha Vó Landa, entretida nos seus afazeres, cozinhando no fogão à lenha – Benção Vovó.
Depois de instalados vamos brincar. Eu, meus irmãos e meus tios que são poucos anos mais velhos. No terreiro avisto inúmeras galinhas ciscando, pintinhos piando. Ah que saudade disso! No fundo vejo o porco no chiqueiro engordando para o Natal e o rio que corre ao fundo do sítio. Esse merecia uma crônica especial: o rio que corre no fundo do sítio é tão longo que mal consigo ver o fim. A água fria, mas doce, uma delícia.

No final das tardes, como de costume, meus tios iam buscar leite no sítio vizinho (no interior a comercialização de produtos é um pouco diferente: a minha avó trocava algumas dúzias de ovos por leite). Essa era a oportunidade de conhecer as redondezas da pequena e pacata Petrolândia. Descendo pelo rio cortando a cidade reparo em cada detalhe, é como se a minha mente fotografasse cada imagem para sempre. Apanhamos três litros de leite e voltamos pela estrada empoeirada que começara a escurecer e ficar assombrada, segundo Marcos e Marcio. Entre o cair da noite e anoitecer, entre a cantoria dos sapos misturado com a sinfonia visual dos vaga-lumes, chegamos ao sítio anestesiados com a sutileza e tamanha riqueza dos pequenos detalhes. O cheiro é um dos melhores. Comida feita no fogão à lenha.

Depois de nadar, correr, brincar e jantar, a vovó agora prepara o nosso banho. Água na chaleira, água na bacia. – Vóó tá fria! E com carinho ela coloca um pouquinho mais de água quente. Ufa, que dia. Sinto-me cansado, parece que fiz mais de mil coisas em um dia. Já ta me batendo um soninho e vou encostando o rosto no travesseiro, que é para sentir aquele cheirinho de marcela (vovó sempre fazia os travesseiros ficarem mais leves e perfumados), e devagarzinho meus olhos vão fechando e eu sinto que estou em paz. Trim, trim, trim, trim – Caramba! Já são oito da manhã. Tô atrasado para o trabalho, que cinco minutinhos hein! Levanto rapidinho, mal lavo o rosto e corro para o ponto... ônibus lotado, fila, trânsito, ah maldito despertador!!

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Casos e acasos..

Esses dias decidir ir atrás de uma pauta diferente. Mandei um e-mail para a lista de alunos da UFSC. Recebi cerca de 20 e-mails, com várias sugestões diferentes. Umas engraçadas, umas irreverentes, umas auto-promocionais e por vai.

Dentre as sugestões recebidas, a primeira a sair na Contracapa do jornal é a do sapateiro, enviada pela Jéssica Pastoriza. Um senhor, paraguaio, veterano de guerra, morou por vários lugares e passa o ofício que aprendeu com o pai, para os filhos e netos.

Talvez, a próxima, a de um rapaz que por incrível que pareça coleciona saquihos de açucar, de várias países e sabores. Outras que me chamou atenção foi um índio que é professor na Tribo Guarany, que escreveu um livro. Decidir ir atrás de todas as pautas, mesmos que elas não sejam publicadas.

Os próximos 12 posts serão reservados a estes material, que podem render boas e engraçadas histórias... então boa leitura.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Quem era ele mesmo?

Na noite de hoje, escrevi por quatro vezes o seguinte trecho, "Amigos e Amigas, preciso de sua ajuda para comprar uma cesta básica para minha familía. Qualquer ajuda é de bom coração. Obrigado". E agora pergunto. O que há de errado com essa frase?

Gramaticalmente, nada. O que está errado então? O conteúdo? Talvez. Apesar de tê-lo escrito, fui apenas um interpréte, uma fuga humana, de um cara que encontrei hoje, na rodoviária de Florianópolis. Ele, um rapaz jovem que aparentemente não teve orportunidades.

Enquanto escrevia a primeira pela primeira vez, ele me dizia: - Meu, os caras (policiais) me pegaram, me teram uma surra, por que tava pedindo na sinaleira. Sua cabeça realmente estava machucada. Enquanto escrevia e pensava no quê estava escrevendo, sua respiração parecia ofegante, meio stressado, nervoso... também pudera, tinha acabado de apanhar.

Terminei de escrever, dividi a folha A3 em quatro partes iguais e entreguei para ele. Não sei se ele sabia ler, mas cada palavra do recado saira de sua boca. Me agradeceu e virou as costas e foi embora. Talvez imagine que finalidade foi dada para os quatro pedaços de papel. Talvez pense em cada pessoa que irá ler aquele recado e imagine cada reação. Talvez.