Na noite de hoje, escrevi por quatro vezes o seguinte trecho, "Amigos e Amigas, preciso de sua ajuda para comprar uma cesta básica para minha familía. Qualquer ajuda é de bom coração. Obrigado". E agora pergunto. O que há de errado com essa frase?
Gramaticalmente, nada. O que está errado então? O conteúdo? Talvez. Apesar de tê-lo escrito, fui apenas um interpréte, uma fuga humana, de um cara que encontrei hoje, na rodoviária de Florianópolis. Ele, um rapaz jovem que aparentemente não teve orportunidades.
Enquanto escrevia a primeira pela primeira vez, ele me dizia: - Meu, os caras (policiais) me pegaram, me teram uma surra, por que tava pedindo na sinaleira. Sua cabeça realmente estava machucada. Enquanto escrevia e pensava no quê estava escrevendo, sua respiração parecia ofegante, meio stressado, nervoso... também pudera, tinha acabado de apanhar.
Terminei de escrever, dividi a folha A3 em quatro partes iguais e entreguei para ele. Não sei se ele sabia ler, mas cada palavra do recado saira de sua boca. Me agradeceu e virou as costas e foi embora. Talvez imagine que finalidade foi dada para os quatro pedaços de papel. Talvez pense em cada pessoa que irá ler aquele recado e imagine cada reação. Talvez.
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